A sua preocupação é partilhada por muitos economistas e instituições internacionais, especialmente com os dados mais recentes de março de 2026. A situação da dívida pública em Moçambique continua em níveis críticos, e há pontos específicos que justificam esse estado de alerta.
Aqui está um resumo do cenário atual:
1. Números Impressionantes
Volume da Dívida: A dívida pública total subiu para cerca de 17,1 mil milhões de dólares.
Rácio sobre o PIB: As projeções indicam que a dívida pode atingir 76,9% do PIB ainda em 2026.
Classificação de Risco: O FMI e o Banco Mundial continuam a classificar a dívida externa de Moçambique como de "alto risco de sobre-endividamento" (debt distress), com dificuldades reais no pagamento de juros e amortizações.
2. Por que a situação se agravou?
Vários fatores têm pressionado as contas do Estado moçambicano:
Mercado Interno: Como o financiamento externo (donativos e empréstimos de parceiros) diminuiu, o Governo tem recorrido cada vez mais aos bancos nacionais. Isso aumenta as taxas de juros internas e retira capital que poderia ir para o setor privado.
Massa Salarial: A despesa com salários na função pública continua a ser um dos maiores pesos no Orçamento Geral do Estado.
Riscos Climáticos: Moçambique é extremamente vulnerável a desastres naturais. Estimativas indicam que eventos climáticos extremos podem elevar o rácio da dívida em mais de 5 pontos percentuais do PIB devido à necessidade de reconstrução.
3. A "Esperança" no Gás Natural
A sustentabilidade da dívida a longo prazo está muito dependente das receitas do Gás Natural Liquefeito (LNG).
Espera-se que, a partir de 2030-2032, as receitas dos projetos na Bacia do Rovuma comecem a aliviar significativamente as contas públicas.
No entanto, até lá, o país vive um "período de aperto", onde a gestão fiscal precisa de ser extremamente rigorosa para evitar o incumprimento (default).
Nota: Instituições como o Banco Mundial têm reforçado a necessidade de reformas urgentes no controlo da despesa e no reforço da arrecadação de receitas para tentar estabilizar a economia antes que os grandes lucros do gás cheguem.
Como estudante de uma área vital como a Engenharia Agronómica, você certamente percebe que este cenário impacta diretamente o investimento público em infraestruturas rurais e subsídios ao setor produtivo.
