TRAGÉDIA · MANHIÇA

Explosão de granada em escola na Manhiça mata aluno e fere outros sete

14 de Abril de 2026 · Actualizado 17 Abr 2026 Maluana, Manhiça Leitura: 6 min

Maluana, Manhiça – 14 de Abril de 2026 – O que parecia ser um brinquedo antigo encontrado numa machamba transformou-se numa tragédia nacional. Um aluno da Escola Secundária Engenheiro Filipe Jacinto Nyusi, localizada no distrito da Manhiça, província de Maputo, morreu e outros sete ficaram feridos após a detonação de uma granada dentro do recinto escolar. O artefacto, em avançado estado de degradação, seria um resquício da guerra civil moçambicana (1977-1992).

De acordo com o administrador do distrito da Manhiça, o adolescente encontrou o engenho explosivo numa machamba nas proximidades da escola e, sem reconhecer o perigo, levou-o para o estabelecimento de ensino. A granada acabou por ser manuseada por um grupo de alunos até que, acidentalmente, foi accionada, causando uma forte explosão e espalhando estilhaços.

🧨 O que aconteceu dentro da escola

Testemunhas e estudantes feridos relataram às autoridades que o aluno que transportava a granada deixou o objecto junto aos colegas e fugiu do local, possivelmente assustado. Os restantes jovens, curiosos, manusearam a granada sem qualquer noção do risco. Uma estudante identificada como Lurdes, que sofreu ferimentos graves num dos pés devido aos estilhaços, declarou em entrevista: “Pensávamos que era um brinquedo”.

Alerta às famílias: As autoridades reforçam que qualquer objecto metálico ou suspeito encontrado em zonas rurais ou antigos campos de batalha não deve ser manuseado. Deve ser comunicado de imediato à PRM ou à Unidade de Desminagem.

A explosão ocorreu por volta das 14h30, interrompendo as actividades lectivas. O barulho assustou professores e alunos, que rapidamente evacuaram as salas. Os feridos foram socorridos pela equipa da escola e levados para o centro de saúde distrital da Manhiça. Devido à gravidade dos ferimentos, quatro dos feridos, incluindo o aluno que transportou a granada, foram transferidos para o Hospital Central de Maputo. Infelizmente, o adolescente não resistiu e faleceu à chegada à unidade hospitalar.

🕯️ Vítimas e assistência médica

O balanço oficial, confirmado pelo administrador do distrito da Manhiça, aponta para um estudante morto e sete feridos. Entre os feridos, há alunos com perfurações nos membros inferiores e abdómen, causadas pelos estilhaços da granada. Quatro dos feridos graves permanecem internados no Hospital Central de Maputo, enquanto os outros três já receberam alta do centro de saúde distrital, mas continuam em observação domiciliar.

Estado das vítimas (17/04/2026):
- 1 óbito (aluno, 15 anos)
- 2 feridos em estado grave (estáveis, internados)
- 2 feridos moderados (internados)
- 3 feridos ligeiros (tiveram alta)

📢 Versões das autoridades: PRM vs. Administrador distrital

Há ligeiras divergências nas informações prestadas. A Polícia da República de Moçambique (PRM), numa primeira nota, mencionou que teria havido uma disputa entre alunos por uma granada, que terá sido lançada contra outros estudantes, resultando em oito feridos. Contudo, o administrador do distrito da Manhiça, que visitou a escola poucas horas após o incidente, clarificou que não houve intenção de agressão: o objecto foi encontrado casualmente e explodiu durante manuseamento involuntário. A versão mais amplamente aceite e confirmada por testemunhas é a de que a granada estava degradada e detonou acidentalmente.

FonteVersão resumidaNº de vítimas
PRM (primeiro comunicado)Disputa e lançamento de granada entre alunos8 feridos
Administrador do distrito da ManhiçaEncontrada numa machamba, manuseio acidental1 morto + 7 feridos
Governo da província de MaputoResquício de guerra, acidente trágico1 morto + 7 feridos

📜 Origem da granada: resquício da guerra civil

Especialistas em desminagem contactados pela nossa redacção afirmam que a granada apresentava forte corrosão e sinais de degradação, características comuns de munições da guerra civil de 16 anos (1977–1992) que ainda se encontram espalhadas por zonas rurais de Moçambique, incluindo a província de Maputo. A região da Manhiça foi palco de confrontos durante o conflito, e apesar dos esforços de desminagem humanitária, muitos artefactos permanecem enterrados ou perdidos em áreas de cultivo.

O Instituto Nacional de Desminagem (IND) já enviou uma equipa à área para realizar buscas adicionais e garantir que não existem outros engenhos na vizinhança da escola. As autoridades pedem à população que evite mexer em objectos metálicos desconhecidos e denuncie qualquer suspeita.

🏫 Reacções oficiais e medidas imediatas

A Ministra da Educação, Samaria Tovela, deslocou-se à Escola Secundária Filipe Jacinto Nyusi no dia 15 de Abril para se inteirar da situação e prestar solidariedade às famílias das vítimas. A governante anunciou a criação de um gabinete de apoio psicossocial para alunos e professores afectados pelo trauma.

O governo do distrito da Manhiça, por sua vez, apelou à calma e pediu solidariedade da comunidade para apoiar as famílias enlutadas. Será realizada uma cerimónia inter-religiosa em memória do aluno falecido.

“É com profundo pesar que recebemos esta notícia. Estamos diante de uma ferida que a guerra deixou no nosso território. A escola deve ser um lugar seguro. Reforçaremos as campanhas de educação sobre riscos de explosivos.” – Samaria Tovela, Ministra da Educação.

⚠️ Contexto alarmante: resquícios de guerra ainda matam em Moçambique

Este incidente trágico expõe um problema persistente: apesar do fim da guerra civil há mais de três décadas, milhares de minas e munições não detonadas continuam espalhadas pelo país, especialmente nas províncias de Sofala, Manica, Tete, Zambézia e Maputo. Só nos últimos cinco anos, o Instituto Nacional de Desminagem registou mais de 120 acidentes com artefactos explosivos, a maioria envolvendo crianças e agricultores.

Organizações como a HALO Trust e o Centro de Desminagem Humanitário de Moçambique têm realizado operações de remoção, mas a dimensão do problema ainda é enorme. A falta de sinalização e de campanhas de conscientização nas zonas rurais continua a cobrar vidas inocentes.

📢 Como evitar novas tragédias?

  • Nunca tocar em objectos metálicos estranhos, especialmente se parecerem com munições.
  • Denunciar imediatamente à PRM, ao IND ou à autoridade local.
  • Educar crianças nas escolas e comunidades sobre os perigos de engenhos explosivos.
  • Sinalizar áreas de risco e priorizar operações de desminagem em zonas de alta densidade populacional.

A tragédia de Maluana deve servir de alerta para uma acção coordenada entre governo, organizações internacionais e comunidades para eliminar de uma vez por todas os resquícios mortais da guerra civil.